O governo russo está preparando um projeto de lei que proibirá e multará quem defender abertamente o direito de não ter filhos. Com poucas exceções, a medida visa aumentar a taxa de natalidade e reprimir movimentos contrários, incluindo o feminismo.
A Duma, câmara baixa do Parlamento russo, está elaborando a lei que imporá multas de até 50 mil euros (cerca de 303 mil reais) para quem apoiar a "recusa em ter filhos". Isso afetará diversas esferas, desde conversas casuais até a produção de filmes e livros, sendo uma ameaça ao movimento feminista russo.
O Kremlin alega que há um "movimento childfree" ou "movimento sem filhos" organizado, apesar de comunidades online sobre o assunto terem poucos membros. As autoridades pretendem proibir a "propaganda contra não ter filhos" na internet, mídia, filmes e publicidade, com base em leis anteriores contra a liberdade de expressão.
A medida faz parte da guinada conservadora da Rússia, que busca promover valores tradicionais e incentivar a maternidade, enfrentando desafios demográficos. O governo também discute outras propostas, como a restrição do aborto e a proibição da adoção de crianças russas por países que permitem a transição de gênero.
Essa nova lei é vista como mais uma tentativa do Estado russo de reprimir qualquer dissidência interna que não se alinhe à sua ideologia de "defesa dos valores tradicionais", acusando o Ocidente de estar por trás de pensamentos liberais.
