A Academia Brasileira de Letras não vê razão para a adoção oficial da linguagem neutra, argumentando que a língua portuguesa possui uma rica tradição que deve ser respeitada e preservada. A instituição enfatiza que a gramática e as normas linguísticas foram desenvolvidas ao longo de séculos e que mudanças abruptas podem causar confusão e dificultar a comunicação.
Além disso, a Academia ressalta a importância da clareza e da compreensão na comunicação. Para muitos linguistas e especialistas, a utilização de formas neutras pode gerar ambiguidade e prejudicar a fluidez do discurso. A língua é uma ferramenta que deve facilitar a interação entre as pessoas, e alterações que não são amplamente aceitas podem criar barreiras em vez de promover a inclusão.
A discussão sobre a linguagem neutra também toca em questões sociais e culturais, refletindo debates mais amplos sobre identidade de gênero e representatividade. No entanto, a Academia acredita que a língua deve evoluir de maneira orgânica, através do uso cotidiano e da aceitação popular, e não por imposições formais.
Dessa forma, a posição da Academia Brasileira de Letras é a de que a evolução da língua deve ocorrer de forma natural, respeitando suas raízes e particularidades, ao mesmo tempo em que se busca um diálogo aberto sobre as questões contemporâneas que afetam a sociedade.
